Quantos animais são utilizados em experiências no Reino Unido?

Os procedimentos científicos realizados com animais em laboratórios no Reino Unido estão actualmente ao nível mais alto desde que a legislação que regulamenta o uso de animais em investigação — Animals (Scientific Procedures) Act — entrou em vigor em 1986.

O Home Office publica estatísticas dos procedimentos científicos em animais anualmente. Os números atingiram um mínimo em 2001, quase 3 milhões, mas desde então têm aumentado constantemente até ao nível actual de mais de 4 milhões.

Em 2013 (os dados disponíveis mais recentes), 4 120 000 procedimentos científicos foram iniciados na Grã-Bretanha, um aumento de 0,3% (11 600 procedimentos) em comparação com 2012. Destes procedimentos, 2,02 milhões (49%) foram realizados para fins que não incluiam a produção de animais com modificações genéticas, uma diminuição de 5% (–111 600 procedimentos) em comparação com 2012. Os restantes 2,10 milhões de procedimentos (51%) foram realizados para a produção de animais geneticamente modificados, um aumento de 6% (123 200 procedimentos).

Quantos animais são utilizados em experiências no mundo inteiro?

Não é possível calcular o número de animais vertebrados utilizados em experiências em todo o mundo, porque nem todos os países registam todas as experiências com estes animais. No entanto, estima-se que cerca de 200 milhões de animais vertebrados são utilizados em experiências científicas todos os anos.

Por exemplo, nos EUA, experiências com ratinhos (camundongos), ratazanas, outros roedores e aves não são incluídas nas estatísticas, apesar destas serem das espécies mais utilizadas em laboratórios. No Reino Unido, animais excedentários que são criados para investigação (mas que não são utilizados em experiências), e animais usados para produzir determinados tipos de material biológico não são incluídos.

Quais são as espécies utilizadas em experiências?

Em 2013, roedores foram as espécies mais utilizadas (sendo responsáveis por 82% de todos os procedimentos), seguidas de peixes (12%) e aves (3%). O peixe-zebra foi usado em 65% dos procedimentos com peixes; aves domésticas (galinhas, etc.) foram usadas em 92% dos procedimentos com aves. Outras espécies de mamíferos e répteis/anfíbios foram utilizadas, respectivamente, em 2% e 0,3% de todos os procedimentos; cães, gatos, cavalos e primatas não-humanos (espécies com estatuto especial) foram utilizados em 0,4% de todos os procedimentos, num total de 16 800 procedimentos.

Que tipos de experiências são realizadas em animais?

As experiências realizadas em animais dividem-se em três categorias principais:
– Experiências em que os animais são utilizados para estudar doenças e fisiologia humana
– Experiências que usam organismos modelo para testar, desenvolver ou avaliar a segurança de determinados produtos
– Experiências em que animais são utilizados para produzir materiais biológicos

A experimentacao animal é ética?

Este conceito depende de vários factores:
– A existência de métodos alternativos que possam fornecer o mesmo tipo de informação.
– Os animais utilizados em experiências deverão ser poupados, para que o nível de sofrimento seja mantido ao mínimo e dentro do eticamente aceitável.
– Se o custo para cada animal é compensado por benefícios tangíveis para a saúde humana ou animal.

A realização de experiências com animais avançou a medicina humana?

Muitos medicamentos e tratamentos disponíveis actualmente foram desenvolvidos na sequência de estudos e testes em animais. A experimentação animal desempenhou um papel importante no desenvolvimento e produção das vacinas eficazes e seguras que actualmente existem contra a pólio, difteria, papeira, sarampo e hepatites, por exemplo.

A experimentação animal também levou à descoberta da insulina (que é utilizada para tratar a diabetes humana), e para o desenvolvimento de diversos procedimentos cirúrgicos que agora são utilizados.

No entanto, alguns cientistas suspeitam que as diferenças entre espécies podem ser a razão pela qual está a ser difícil encontrar curas para algumas doenças humanas. Os resultados em animais modelo podem ser enganosos. Estima-se que 90% dos novos medicamentos que parecem promissores em testes em animais falham quando são testados em seres humanos.

A realização de experiências em animais ajudou a proteger os animais e o meio ambiente?

Experiências em animais não são realizadas apenas para proteger a saúde humana. Muitos avanços na medicina veterinária, incluindo o desenvolvimento de vacinas contra a raiva e de técnicas de diagnóstico e cirúrgicas, implicaram investigação animal.

Em alguns casos, estes estudos têm ajudado à conservação de espécies raras ou em vias de extinção. Um bom exemplo é a pesquisa na area da hepatite, que pode destruir populações inteiras de primatas não-humanos.

Cada vez mais, donos de animais de estimação (cão, gato, etc.) procuram melhores tratamentos para estes e concordam na participação em ensaios clínicos.

Testes de toxicidade ambiental, para estimar os riscos para os animais devido à exposição a longo prazo, requerem experimentação animal, porque sistemas mais simples e unicelulares ainda não oferecem resultados fiáveis. No entanto, houve muito progresso e tais estudos usam cada vez mais ovos e larvas de peixes em vez de expor animais adultos a substâncias potencialmente nocivas.

Ainda é necessário usar animais em experiências?

Muitas pessoas argumentam que actualmente existem formas de fazer investigação sem ser necessário recorrer a animais. Alguns tipos de experiências comuns em animais foram substituídos por métodos alternativos que não os utilizam. Um bom exemplo é o uso de sistemas celulares artificiais em vez do teste Draize (de irritação ocular em coelhos).

No entanto, enquanto não existirem alternativas à experimentação animal que sejam fiáveis para salvaguardar todos os aspectos da saúde humana e animal, algumas experiências com animais são inevitáveis.

Os animais têm direitos?

Organizações de direitos dos animais defendem a ideologia de que os animais têm direitos. No entanto, os direitos são apenas oferecidos aos seres humanos, tendo em causa a noção de pessoa. Os direitos humanos são incorporados em várias leis e podem ser limitados por outras leis, por exemplo, quando uma pessoa comete um acto criminoso ou em que exista um interesse público.

Os animais devem ter direitos?

Algumas pessoas argumentam que há espécies que devem ter direitos com base no seu relacionamento com os seres humanos, o seu nível de consciência e capacidade para sofrer. Este é o argumento mais comum no caso de grandes símios, como gorilas e chimpanzés, e têm havido várias tentativas de atribuir alguns direitos semelhantes aos dos humanos a esses animais altamente sensíveis,

Por vezes investigadores sofrem às mãos de activistas dos direitos dos animais. Qual é a moralidade da intervenção directa para proteger animais?

Ameaçar ou pôr em perigo a vida de outros seres humanos nunca pode ser justificação e não é moralmente aceitável. Esta noção é capturada por leis que tornam tais acções criminosas.

Há formas pacíficas de protestar e transmitir a mensagem aos defensores da experimentação animal. A melhor abordagem é fornecer soluções constructivas e científicas aos problemas e preocupações éticas suscitadas pela experimentação animal.

Existem leis que protegem os animais de laboratório?

A maioria dos países desenvolvidos onde são realizadas experiências com animais têm leis para o efeito, que tornam os cientistas responsáveis perante o governo do país. No Reino Unido, as experiências com animais são controladas pelo Home Office.

Quais são as espécies de laboratório protegidas?

Todos os animais vertebrados, ou seja, todas as espécies de mamíferos, aves, répteis, anfíbios e peixes. As recentes alterações à lei Britânica incluem todos os cefalópodes (polvo, lulas, chocos e Nautilus), embora anteriormente apenas o Octopus vulgaris fosse incluído.

A situação noutros países, como os EUA, é menos clara, embora cada vez mais cientistas implementem práticas de modo a minimizar o sofrimento causado.

Há algumas espécies que merecem tratamento especial?

Alguns cientistas defendem que há animais de laboratório que só devem ser utilizados como último recurso, nomeadamente quando testes com outras espécies de vertebrados não são adequados nem suficientemente fiáveis para prever os efeitos de determinadas substâncias no ser humano. Este argumento foi invocado para cães e primatas.

Quais são as alternativas às experiências com animais?

Há alguns métodos alternativos que já são utilizados pelas autoridades reguladoras, e outros estão em desenvolvimento. Métodos existentes incluem os que utilizam sangue humano em vez do de coelhos para testar contaminação bacteriana, modelos de pele artificial em substituição do teste de Draize para a despistagem de substâncias irritantes, e testes que usam bactérias, leveduras ou células de mamíferos em cultura para avaliar a capacidade de indução de mutações no ADN.

Outros métodos alternativos incluem a utilização de invertebrados como organismos modelo para o estudo de doenças humanas, e investigação com pessoas voluntárias. Testes de sensibilidade cutânea são um bom exemplo.

Em alguns casos, a informação pode ser usada para criar modelos informáticos de sistemas biológicos. Estes podem ser utilizados para prever como é que uma nova substância pode afectar a saúde ou fisiologia humana, ou perceber como é que sistemas biológicos diferentes interagem.

Métodos de aperfeiçoamento incluem protocolos que tornem possível a realização de estudos menos invasivos em animais, tais como técnicas de imagem, e métodos que permitam um melhor planeamento experimental, tais como abordagens estatísticas.

Métodos de aperfeiçoamento têm como intenção melhorar o bem-estar dos animais. Estes podem incluir melhorias nas condições de criação de animais de laboratório de modo a que estas se assemelhem o mais possível às do seu habitat natural. Brinquedos exploratórios, paredes de escalada, material de nidificação e habitação em grupo são exemplos de aperfeiçoamento.

Como é que estas alternativas podem ser utilizadas em escolas e universidades?

Experiências com animais ainda são usadas para aulas práticas e para demonstrações de anatomia.

Fazendo demonstrações com vídeos e ferramentas virtuais de dissecação, é possível reduzir drasticamente o número de animais utilizados em escolas e outras instituições de ensino.